Adornos Corporais dos Matis do Vale do Javari

matis_15
matis_14

Anúncios
Publicado em Fotografia, Povos Indígenas | Marcado com , , , | Deixe um comentário

Belo Monte: anúncio de uma guerra.

Vídeo | Publicado em por | Marcado com , , , , | Deixe um comentário

Um oceano de plástico

Vídeo | Publicado em por | Marcado com , , , , | Deixe um comentário

A evolução da Terra em 1 minuto!

Vídeo | Publicado em por | Marcado com , , | Deixe um comentário

Wotko e Kokotxi

Este curta conta um pouco da história dos Tapayuna… Esse povo é exemplo da resiliência indígena. Sobreviventes do processo de expansão das fronteiras norte do país, vivem hoje no Parque do Xingu, há quilômetros de distância das terras que lhes foram tomadas às margens do Rio Arinos (nas proximidades do município de Porto dos Gaúchos – MT).
Uma das dificuldades que tive em escrever minha monografia foi justamente tratar desses fatos que estão sendo esclarecidos de verdade só agora por iniciativa que parte dos próprios indígenas e interesse de alguns pesquisadores. A história Tapayuna começa a ser contada, a língua está sendo estudada, mas muito ficou no tempo. Muito foi levado pelas doses de arsênico somadas ao açúcar que lhes foi presenteado, pelas enfermidades impregnadas nas roupas que lhes foram distribuídas, pelas balas dos invasores e pela gripe de um jornalista que depois de anos de massacre foi levado pelo SPI afim de contar pro mundo a mentira de que o estado brasileiro era compromissado com seus povos autóctones.
Que novos capítulos dessa história sejam construídos, e que possamos aprender, de verdade, com a sabedoria dos povos da floresta…

Vídeo | Publicado em por | Marcado com , , , | Deixe um comentário

Dos primeiros textos lidos…

No post anterior falei um pouco do “artista genuíno” que é o escritor portoalegrense Coiote Flores. Deixo aqui a reprodução de alguns dos primeiros contos que li dele (2005/2006):

“ela chegou em casa cansada, ainda irritada por causa da chuva, e jogou a mochila e o chaveiro em cima do sofá da sala. foi para o banheiro pensando em tomar banho, mas optou por uma mão-cheia-d`água contra seu rosto e foi até a cozinha servir a si uma dose de uísque. pensava em ligar para o namorado, mas aquele ‘monte de tralha assentimental’ deveria estar na rua ainda, com a ponta do moletom encharcada presa entre os dedos aquecendo-lhe contra o frio – e a fome. despedira-se dele menos de uma hora antes de chegar ao apartamento, e agora ainda não sentia sua falta. realmente, o uísque seria melhor companhia. tomou três comprimidos de diazepan e sentou-se em frente à tv, para ocupar-se assistindo qualquer desenho animado que fosse exibido até ela dormir. caminhava com uma garrafa de vinho tentando lembrar onde deixara a namorada. não conseguia lembrar se ela fora embora ou ainda estaria esperando por ele no parque. não conseguia lembrar sequer quantos e quais eram os amigos ao seu lado, e sequer percebera passar o vinho para a mão de alguém. só sabia que precisava banhar o moletom em qualquer solvente que lhe fizesse esquecer ainda mais o momento, pois a mente em branco significava-lhe paz. pegou um cigarro do bolso, lembrou da namorada indo em direção à parada de ônibus, e pegou novamente a garrafa de vinho. não conseguindo dormir, serviu outra dose de uísque e acendeu um cigarro, agora desejando que seu namorado chegasse logo. mas talvez ele nem sequer fosse para a casa dela, afinal, não costumavam passar a noite de domingo juntos. não depois de beberem tanto, pelo menos. ofereceu um gole de vinho para o amigo ao seu lado e disse-lhe que tinha que ir embora. não, não vou deixar a garrafa. distribuiu cigarros para os três pedintes e foi até a parada de ônibus. sentia falta da namorada. ouviu a campainha e ficou imaginando se era sua vizinha reclamando do barulho da tv ou o namorado. olhou para a tv, e estava desligada. provavelmente era o namorado. abriu a porta e lá estava ele, aparência cansada, calças molhadas, e uma garrafa de vinho metade-cheia-metade-vazia na mão. sorriu e pôs seus lábios contra os dele. sentaram-se em frente à tv com as pontas do moletom dele encharcadas presas entre suas mãos, dois copos de uísque e uma garrafa de vinho sobre a pequena mesa à frente e assistiram desenhos animados até dormir.”
J.P. Flores
.
.
.
_________”dor, frustração, penitência.”
“e nada de sexo, palavrões, algolagnia ou ironia nesse conto. ah, só ironia, por que nenhum dos redatores aqui é de ferro.
-o editor
demorou-lhe a acreditar no amor. depois de tantos anos sozinha, entregue à poligamia, finalmente se apaixonou. mas ela tinha motivo, e esse foi seu crime. de fato, esse foi o erro desde o princípio. evitava se apaixonar por que acreditava que tamanha abertura sentimental lhe traria dor. forçava-se a relacionamentos superficiais pois esses significavam simplicidade, jamais ousou declarar sentimentos pois isso traria-lhe dor. e eis o erro. a lógica, que por tantos anos a manteve segura, por fim deveria trazer-lhe dor. pois quando finalmente não conseguiu enganar-se, quando a máscara de força física e o escudo no coração caíram, ela não estava preparada. e, entregando-se ao amor calculadamente, quase que friamente – como por tantos anos evitou faze-lo – ela caiu. amou-o não simplesmente por que ele a amava, ou por retribuir o sentimento, amou-o por que convinha, por que este não poderia fazer-lhe sofrer, por que este a faria feliz. e a fez. juntos, se completavam, e assim a casca do relacionamento se apresentava alegre, limpa, admirável para muitos. ele suportou-a por anos, apaixonado, embora em dúvida. e, por fim, não havia mais dúvida. teve a chance de amar aquela a quem ele se sentia destinado e, mesmo não querendo instigar dor à anterior, precisava partir. precisava entregar-se ao amor, sem calcular, simplesmente jogaria-se sorrindo de braços abertos aquele mar que, mesmo podendo castigar-lhe com chibatadas de ondas contra as paredes do recife, poderia tão facilmente abriga-lo em sua calmaria e pela eternidade significar a ele pleno contentamento. ele não pensou, por momento algum, em lógica. em praticidade. ele foi. e a ela restou a dor, pois aquele a quem se devotaria não estava mais lá. não importava-lhe pensar no próximo, não adiantaria relembrar experiências anteriores. ali, só havia dor, frustração, penitência.”
_________JP Flores

Como disse anteriormente, concordo com o que escreveu João Kowacs no prefácio do livro “A vida em anexo” de Coiote Flores, o cara escreve “tão bem, com tanta fluidez, tanta inspiração real e concreta, despreendimento de linguagem e sem vergonha”. Por isso mesmo poderia republicar aqui diversos dos seus tantos contos, poemas, resmungos ou o que fosse (suas receitas de miojo são realmente impressionantes, mas acredite, seus cappuccinos são tão bons quanto ele afirma), mas deixo com vocês a direção para que se deliciem por si próprios em suas palavras: O Galã da Sarjeta

E para finalizar só mais um conto:

“(…) 
mulheres não gostam de homens inteligentes, sensíveis, e com senso de humor. muitas podem dizer que sim, mas é pura baboseira politicamente correta. elas querem teu pau ou teu dinheiro, talvez os dois, talvez alguma outra coisa. que interesse alguma garota poderia ter no teu cérebro se não, talvez, para ajuda-la em alguma obrigação escolar além da capacidade dela? a verdade é que no momento em que você demonstrar alguma faculdade intelectual acima da média, ela te verá como um babaca. se você for um babaca pretensioso, aí sim talvez tenha alguma chance. e eu digo o que digo como uma porra dum gênio com sentimentos de mulherzinha e q se dispõe a perder emprego, mulher e amigos por uma boa piada. homens sensíveis são bastante úteis para quando elas querem se sentir bem, realmente. quando, naqueles raros momentos em que o coração bate forte, elas precisam de alguém ao lado delas que as faça sentirem-se como pessoas amorosas e que precisam dividir seus sentimentos com alguém. mas quando voltam à sua razão média e se dão ao luxo de serem honestas consigo mesmas, saberão que o que elas precisam é de um canalha que as trate como lixo e se preocupe apenas em satisfazer a necessidade do bago. quanto ao senso de humor, dispenso comentários. um cara engraçadinho, com piadas manjadas retiradas de rodas de amigos dos menos iluminados, tudo bem. mas se você realmente entende todas as graças e é capaz de produzir algumas, vez que outra, ela brochará no momento em que ouvir uma tirada inteligente que deveria faze-las rir. ah, elas rirão, de você, perdedor! 
digo e bem sei que as mulheres que gostam de mim gostam por que acham que os três jargões da felicidade conjunta que posso transparecer não passam de fachada para um tremendo filha da mãe. e as que não gostam, certamente esperavam um pau no cu sem igual que só vão encontrar no desgraçado que finge bem e poderia dispensá-las por qualquer outra com um sentimento masoquista superior ao da primeira. aí sim podem se entregar a um relacionamento monogâmico de aparências que, graças à ‘compatibilidade indestrutível’ dos dois, durará meses, senão anos.” 

DKMosrite (umas das identidades do atual Coiote Flores)

Publicado em Leituras | Marcado com , , , , | Deixe um comentário

A Vida em Anexo de Coiote Flores

Acredito que nada melhor do que ver o tempo passar e as coisas acontecerem, em especial aquelas pelas quais ansiávamos. E estes últimos tempos foram tempos felizes porque pude ver nascendo (mesmo que virtualmente) o livro A Vida em Anexo do meu amado Coiote Flores.

Lembro-me bem de quando o conheci e das primeiras coisas que li dele. Sua escrita foi surpreendente desde o início, e vê-la amadurecer sem perder nada de suas características é algo indescritivelmente gostoso de se vivenciar. É claro que não tanto como finalmente ler suas palavras impressas em seu primeiro livro cuja “criação, diagramação, edição e revisão” são de sua autoria, e não poderia ser diferente devido a grandeza e multiplicidade de sua criatividade.

Concordo com o que escreveu João Kowacs no prefácio do livro, o cara escreve “tão bem, com tanta fluidez, tanta inspiração real e concreta, despreendimento de linguagem e sem vergonha” que “vale a pena investir essa merreca em um livro tão bom”.

O QUÊ? :: A VIDA EM ANEXO, coletânea de contos de Coiote Flores. Brochura, 96 pgs, 19,9 x 13,9 cm.
QUANTO? :: R$25,00
COMO? :: encomendas por correio ou pra entregas ao vivo via inbox.
QUANDO? :: agora mesmo

avidaemanexo

A VIDA EM ANEXO reúne alguns dos primeiros contos escritos após a adolescência do autor e misturam suas experiências entre jovens do submundo em uma ficção que varia entre o realismo e o absurdo, onde velórios são o cenário ideal para uso de drogas, experiências extracorpóreas servem como pretexto para o coito e crianças apaixonados descobrem a duras penas sobre bestialismo involuntário.

A arte de capa é de Alexandre de Nadal, arquiteto e ilustrador, atualmente finalizando o curso de Artes Visuais no Instituto de Artes da UFRGS.

Todo processo de compilação, edição e diagramação foi executado pelo próprio autor pra garantir que o livro fosse, desde a criação, um projeto totalmente independente e autônomo.

Publicado em Leituras | Marcado com , , | Deixe um comentário

166 documentários para expandir a sua consciência!

Esta lista está disponível no site Altering Perspectives, e parece bastante interessante!
O nome do documentário te redirecionará para trailers ou para o vídeo completo disponíveis na rede. Aos poucos, conforme for assistindo, substituirei os links disponíveis por destinos onde encontrar os documentários com legendas em português disponíveis…
 
1. Home (2009)
2. Thrive (2011)
3. Paradise or Oblivion (2012)
4. Love, Reality and the Time of Transition (2011)
5. Earthlings (2005)
6. Everything You Know Is Wrong (2000)
7. Zeitgeist: Addendum (2008)
8. Zeitgeist: Moving Forward (2011)
9. The Money Fix (2009)
10. The Wikileaks Documentary (2010)
11. Owned & Operated (2012)
12. Overdose: The Next Financial Crisis (2010)
13. Apologies of an Economic Hitman (2010)
14. The Beautiful Truth (2008)
15. The Awakening (2011)
16. What Would It Look Like? (2009)
17. The World According to Monsanto (2008)
18. Esoteric Agenda (2008)
19. Making a Killing: The Untold Story of Psychotropic Drugging (2008)
20. College Conspiracy Scam in USA (2011)
21. The Indigo Evolution (2005)
22. Edible City: Grow the Revolution (2012)
23. Collapse (2009)
24. The Global Brain (1983)
25. The White Hole in Time (1993)
26. The Primacy of Consciousness (2011)
27. Fuel (2008)
28. Power of Community: How Cuba Survived Peak Oil Crisis (2006)
29. What a Way to Go: Life at the End of Empire (2007)
30. Resonance: Beings of Frequency (2012)
31. War by Other Means (1992)
32. Endgame (2007)
33. War Made Easy (2007)
34. The War on Democracy (2007)
35. Rise Like Lions: The Occupy Wall Street Documentary (2011)
36. Propaganda (2012)
37. The Secret of Oz (2009)
38. The One Percent (2006)
39. The Shock Doctrine (2009)
40. Iran Is Not the Problem (2008)
41. PsyWar: The Real Battlefield Is the Mind (2010)
42. Vaccine Nation (2008)
43. Psychiatry: An Industry of Death (2006)
44. Flow: For the Love of Water (2008)
45. Kymatica (2009)
46. Pots, Pans, and Other Solutions (2012)
47. Manna: The Psilocybin Mushroom Documentary (2011)
48. What in the World Are They Spraying (2010)
49. Why in the World Are They Spraying (2012)
50. Globalization: The New Rulers of the World (2001)
51. Terrorstorm (2006)
52. Fall of the Republic (2009)
53. Crop Circles: Crossover From Another Dimension (2006)
54. The Day Before Disclosure (2010)
55. 9/11: The Road to Tyranny (2002)
56. 9/11: In Plane Site (2004)
57. 9/11: Press For Truth (2006)
58. The Revelation of the Pyramids (2010)
59. Ancient Knowledge (2012)
60. The Union: The Business Behind Getting High (2007)
61. Money As Debt (2006)
62. Money As Debt II (2009)
63. The Age of Stupid (2009)
64. Outfoxed: Rupert Murdoch’s War on Journalism (2004)
65. Crossroads: Labor Pains of a New Worldview (2013)
66. Human Resources: Social Engineering in the 20th Century (2010)
67. Renaissance 2.0 (2010)
68. Consuming Kids: The Commercialization of Childhood (2008)
69. The War on Kids (2009)
70. Palestine Is Still the Issue (2002)
71. Peace, Propaganda, and the Promised Land (2004)
72. Occupation 101: Voices of the Silenced Majority (2006)
73. Walmart: The High Cost of Low Prices (2005)
74. Big Sugar (2005)
75. The Fluoride Deception (2011)
76. Fluoridegate: An American Tragedy (2013)
77. An Inconvenient Tooth (2012)
78. The Great Culling: Our Water (2013)
79. Shots in the Dark: Silence on Vaccines (2009)
80. I Am Fishead: Are Corporate Leaders Psychopaths? (2011)
81. Capitalism Is the Crisis (2011)
82. Slavery By Consent (2012)
83. The Crisis of Civilization (2011)
84. No Logo: Brands, Globalization, and Resistance (2003)
85. 97% Owned (2012)
86. Culture in Decline – Episode 1: What Democracy? (2012)
87. Culture in Decline – Episode 2: Economics 101 (2012)
88. Culture in Decline – Episode 3: C.V.D. (2012)
89. Culture in Decline – Episode 4: War on Nature (2013)
90. Inner Worlds, Outer Worlds – Part 1: Akasha (2012)
91. Inner Worlds, Outer Worlds – Part 2: The Spiral (2012)
92. Inner Worlds, Outer Worlds – Part 3: The Serpent and the Lotus (2012)
93. Inner Worlds, Outer Worlds – Part 4: Beyond Thinking (2012)
94. Ethos: A Time for Change (2010)
95. Rich Media, Poor Democracy (2003)
96. Weapons of Mass Deception (2004)
97. Entheogen: Awakening the Divine Within (2007)
98. American Blackout (2006)
99. Uncounted: The New Math of American Elections (2008)
100. Blue Gold: World Water Wars (2008)
101. Big Bucks, Big Pharma: Marketing Disease and Pushing Drugs (2006)
102. The End of Suburbia (2004)
103. Rethink Afghanistan (2009)
104. There’s No Tomorrow (2012)
105. Iraq for Sale: The War Profiteers (2006)
106. Priceless (2012)
107. What the Bleep Do We Know? (2004)
108. Fat, Sick, and Nearly Dead (2010)
109. The 11th Hour (2007)
110. Paradise With Side Effects (2004)
111. Starsuckers (2009)
112. Awakening the Dreamer: Changing the Dream (2011)
113. Religulous (2008)
114. Sir! No Sir! – The GI Movement to End the Vietnam War (2005)
115. Gasland (2010)
116. Hacking Democracy (2008)
117. Real Estate 4 Ransom: Why Does Land Cost the Earth? (2012)
118. Vanishing of the Bees (2009)
119. Tapped (2009)
120. DMT: The Spirit Molecule
121. Baraka (1992)
122. Samsara
123. Cut Poison Burn
124. The Business of Being Born
125. The Cove
126. Ayahuasca: Ancient Plant Medicine
127. Hempster – Plant the Seed
128. Coca Lives
129. Forks Over Knives
130. Dirty Pictures (The God Father of Ecstasy)
131. All Watched Over by Machines of Loving Grace
132. The Money Masters
133. The Secret of Oz
134. Spirit Science 1-15
135. Garbage Warrior
136. Top 10 Eco Films of All Time
137. What Babies Want
138. Ring of Power
139. House of Numbers
140. SiCKO
141. True History of Marijuana
142. Run From The Cure
143. Eye of The Illuminati
144. Burzynski: Cancer Is Serious Business (2011)
145. Shaman Voyage
146. Libertopia
147. Zeitgeist
148. Stepping Into The Fire
149. Propaganda
150. Secret Ancient Knowledge
151. The Holy Mountain
152. Food Inc.
153. The Silent Revelation of Truth
154. The Obama Deception
155. The Great Culling: Our Water
156. Dreaming Awake At The End of Time
157. The New American Century
158. ZERO: An Investigation into 9/11
159. The House I Live In
160. Black Whole
161. We Are Legion – The Story of the Hacktivists (2012)
162. Sirius – 2013
163. The Shock Doctrine
164. Manifesting the Mind: Footprints of the Shaman
165. Genetic Roulette
166. The Disclosure Project
Publicado em Cinema e TV | Marcado com | Deixe um comentário

Arte efêmera

filtro natural

Imagem | Publicado em por | Marcado com , , | Deixe um comentário

Che Guevara em: Duetos com Fidel.

cheguevara
Na camisa de uma adolescente de classe média alta, a estampa de um homem barbado, de boina militar. Outra garota passa, gosta da camiseta e diz a si mesma: “_ Não sei, mas parece que já vi aquela figura em algum lugar, se eu achar uma camisa dessas na cor vinho eu compro, parece ser de uma boa grife.”
A mesma garota num domingo qualquer vai ao estádio com o namorado assistir Cruzeiro e Atlético – clássico do futebol mineiro – É atleticana roxa, afinal se não for não tem namorado, este é apaixonado desde criancinha pelo time alvinegro. Na torcida adversária a garota nota que uma bandeira enorme estampa o rosto de um cara barbado de boina militar: _ “Parece que já vi aquela imagem em algum lugar – diz a garota de si para si. Continua assistindo o jogo ao lado do namorado que berra sem parar, quando o Cruzeiro marca 1 a 0. Tristeza total. “ _Meu Deus, tomara que o galo ao menos empate, ou então não vou agüentar a choradeira do meu amor” – pensa a garota. _ já sei, aquela bandeira tem a mesma figura que vi estampada na blusa daquela menina, que vi estes dias atrás … a vadia era cruzeirense, como pude achar aquilo bonito, é a figura mais feia que já vi” – pensa a garota.
A mesma garota chega um dia à escola e vê um professor de história com uma camiseta com a mesma imagem do cara barbudo de boina militar, professor que, aliás, será seu professor de história no próximo ano. _ Professor Ricardo, eu nunca pensei que ele fosse cruzeirense, por que usa aquela camisa? Diz a menina para si mesma em pensamento. Diasdepois sentada na cantina com as amigas, a mesma garota repara no decote da bela blusinha verde limão da companheira de lanche, é sua amiga de sala, se conheceram no inicio daquele ano letivo. Belo decote aparece quase metade dos seios, em mim ficaria um arraso afinal meus seios são muito maiores – pensa a menina.
Mas enquanto apreciava e invejava o decote da amiga, algo de súbito lhe tira a concentração, um colar, desses simples, na verdade um cordão desses que vendem na feira livre, e um pingente bem discreto com um rosto que lhe parece familiar, um cara barbudo com boina de soldado. Lá das profundezas de sua garganta suas cordas vocais quase instantaneamente, talvez antes mesmo de perceber atentamente a figura, desfere em um só golpe tal pergunta adormecida nas redondezas de sua mente juvenil: _ Michele onde comprou esse colar? Não sabia que era cruzeirense! _ Cruzeirense… eu?
De maneira alguma, nem de futebol eu gosto, mas se quer saber onde arranjei esse colar, você não vai acreditar. O Roberto deu pra mim – respondeu Michele.  _Vocês não tão ficando, estão? – pergunta a garota em tom de reprovação. _ Ah… a gente ficou umas duas vezes. – responde a amiga, meio sem graça. Mas por que diabos esse cara te deu um colar do Cruzeiro? – Pergunta a menina, intrigada. _ Não é do Cruzeiro, esse cara aqui é um cantor cubano chamado Che Guevara… nunca ouviu falar? _ Pergunta Michele meio que sem entender de onde a amiga havia tirado aquela idéia de que o cordão que usava era do Cruzeiro. _ Ah… você só pode estar brincando? Diz a menina sem esconder o espanto, mas ao mesmo tempo, não querendo revelar o fato de ter associado a imagem que viu na bandeira do Cruzeiro com o cantor cubano pendurado no pescoço da amiga, afinal esse cantor deve ser cruzeirense, ou deve ter composto alguma musica que fale do Cruzeiro, por isso os torcedores cruzeirenses usam aquela bandeira. Mas ela falou que o cara é cubano, como poderia conhecer um time brasileiro… A menina ficou ainda mais desnorteada. No entanto já sabia agora o nome do cara barbudo com boina de soldado, Che Guevara.
            Um belo dia sua professora de história faltou, pois havia contraído uma virose. Como desejava que essa virose se prolongasse até o final do ano. Mas o fato é que o professor substituto era Ricardo o professor do próximo ano. Esse sim era um gato, não vejo a hora de tê-lo como professor ano que vem. – pensou a garota quando Ricardo adentrava a sala. No decorrer da aula não se conteve e quis demonstrar um afeto desmedido pelo professor: _Professor, seja bem vindo, vamos ser seus alunos ano que vem, então pega leve com a gente – o comentário tirou apenas alguns sorrisos automáticos dos colegas de sala, mas sempre que surgia uma oportunidade punha o professor em maus lençóis com seus comentários de adolescente no cio. Ao dar o sinal do intervalo, a menina, feito uma cadelinha amestrada, fica de papo com o professor para demonstrar intimidade, e mostrar aos colegas e principalmente às colegas o quanto era preferida do professor mais bonitão da escola. Mas de repente se lembra que um dia vira Ricardo com uma camisa, aquela do cara barbado com boina, como era mesmo o nome dele…? Che Guevara, era esse o nome do cara, era um cantor cubano, agora lembrava nitidamente, um conhecimento e tanto para demonstrar ao professor. Logo formulou uma compilação de pensamentos em relação ao cantor cubano e disparou sem medo:
_Professor sei que gosta de música cubana.
_ E como é que sabe, que gosto de música cubana? Perguntou o professor calmamente, pois na verdade nem conhecia muito a musica cubana.
_Só de olhar para o senhor eu percebi que é um fã de Che Guevara – Disse a garota. _Fã de Che Guevara?  Como assim? Perguntou perplexo o professor.
_ Calma teacher, o senhor não é o único que gosta, eu ouço muito o “Gueva”. – disse a menina tentando soar íntima do eminente artista cubano que uns tempos antes era um símbolo cruzeirense.
_ Ah… você ouve muito o “Gueva”. Posso perceber que é bem intima dele, ate chama ele de “Gueva”. disse Ricardo cinicamente, já antevendo uma sátira da questão.
_ O Senhor não teria um cd dele pra me emprestar eu tenho somente algumas músicas gravadas, que não estão em bom estado- Perguntou a garota já tentando vislumbrar uma intimidade maior com o mestre. Esse no entanto já se entregara inteiramente à gafe da menina, e desferiu.
_ Claro, tenho todos os cds do “Gueva”, qual você quer primeiro? Perguntou o professor escondendo sua perplexidade diante da inocência da garota.
_ Qual a Senhor considera melhor?  Perguntou a menina, querendo ser simpática com o gosto de Ricardo, esse por sua vez desfere;
_ Duetos com Fidel! Esse é o melhor.
O Conto acima é uma criação fictícia, mais com elementos tirados de fatos que realmente ocorreram e ocorrem todos os dias. O cara barbudo de boina militar que estampa capas de revistas de história, de fofocas e até quadrinhos, e é usada por torcidas de futebol como símbolo, e até mesmo algumas grifes de fama já aderiram ao tal barbudo de boina. Ernesto Guevara de la Serna foi o embrião do mito conhecido como Che Guevara. Mito criado como antítese do capitalismo e até mesmo como um santo milagreiro. Para entrarmos em contato com o mito devemos de alguma forma negligenciar o homem, pois Che Guevara é a figura mais paradoxal que o século XX já criou. Enquanto estudante de medicina e viajante aventureiro teve momentos quase messiânicos, ajudou leprosos e não fazia questão de dar dinheiro a quem precisasse. Enquanto líder guerrilheiro executou prisioneiros e até mesmo um garoto de 15 anos foi executado a mando do comandante. São na verdade dois extremos de um mesmo indivíduo, por isso será necessário um corte epistemológico nessa entidade para depois podermos reconstruir o mito que surgiu das cinzas do cadáver de um homem chamado Ernesto.
André Stanley 
Conto retirado do Blog do André Stanley.
_________________________
André Stanley é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver”; presidiu o Centro acadêmico do curso de História no UNIFEG em 2007, é membro efetivo da Ass. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História. Também leciona língua inglesa idioma que domina desde a adolescência.
Publicado em ... coisas em que penso, Leituras | Marcado com , , | Deixe um comentário